sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Biografia da Igrejinha - Formação da cidade de Ipu


Origem de Ipu – História da Igrejinha
Em 1712 foi criado pela Junta das Missões da Diocese de Pernambuco o Curato do Acaracu (forma antiga de Acaraú), cujo território compreendia toda a porção noroeste da Capitania do Ceará, desde o Rio Parnaíba até o Rio Acaraú; abrangia toda a Serra da Ibiapaba, Meruoca, Sobral e o sertão do vale dos rios Acaraú e Macaco.
Por outro lado, os padres da Companhia de Jesus - jesuítas -, sob a direção da Junta das Missões do Maranhão, já realizavam um trabalho de catequese junto aos índios Tabajaras, na serra da Ibiapaba, havendo fundado a Aldeia da Ibiapaba nas cercanias da atual cidade de Viçosa do Ceará. Faziam-se presentes ainda no vale do Rio Coreaú, catequizando os índios Aconguaçus e construindo uma capela no lugar chamado Ibuaçu, atual distrito de Araquém, na cidade de Coreaú.
     A Ibiapaba foi objeto de um conflito de jurisdição entre a Junta das Missões do Maranhão e a Junta das Missões da Diocese de Pernambuco. Ambas requisitavam o direito de catequizarem os índios da região. O processo correu em Portugal e foi determinado que os jesuítas não poderiam ultrapassar o rio Inhuçu (próximo a São Benedito). Dessa forma, a Ibiapaba foi dividida em duas parte: ao norte, sob a jurisdição dos jesuítas, tínhamos o que se chamou de Serra da Ibiapaba; ao sul, ficava a imensidão habitada por índios bravios e de geografia mais inóspita chamada de Serra dos Cocos. O conjunto da cordilheira era chamado, a esta época, simplesmente de Serra Grande.
Em 1722, enquanto a questão com os jesuítas arrastava-se, o Padre João de Matos Serra, cura do Curato do Acaracu, enviou para a Serra dos Cocos o frei José da Madre de Deus, da ordem dos Carmelitas, com a missão de construir uma capela sobre a serra a fim de evitar o avanço dos jesuítas rumo ao sul da Ibiapaba.
     Frei José veio ter com o Capitão José de Araújo Chaves, dono da sesmaria das Ipueiras (atual cidade de Ipueiras), pedindo-lhe que cedesse um terreno na porção serrana de suas terras para a construção da dita capela. O capitão, por sua vez, cedeu não um, mas dois terrenos, exigindo que fossem construídas duas capelas, uma na serra e outra no sertão. Ele também escolheu os padroeiros. A capela do sertão seria dedicada a Nossa Senhora da Conceição (Hoje Ipueiras) e a da serra a São Gonçalo do Amarante (Hoje Matriz).
     O padre carmelita deu prioridade à construção da capela serrana, mas acabou tendo que fugir das perseguições movidas pelos jesuítas, deixando a capelinha inacabada.
Em 1734 Luis Vieira de Sousa e mais sete pessoas solicitam ao governador do Ceará (Capitão-mor), Manuel Francez, a concessão (sesmaria) de 24 léguas de terras (3 léguas para cada), que se encontravam devolutas na região que viria a ser a freguesia da Serra dos Cocos, com o objetivo de utilizá-las para a pecuária. Logo concedida, Luiz Vieira de Sousa, juntamente com sua esposa Joana Paula Chaves (nome de solteira), fundou a Fazenda Ipu, nas três léguas que lhe cabia, que, se supõe, por aqui não demoraram, pois não há registros de sua permanência e nem memória familiar.
A capelinha de São Gonçalo foi escolhida, em 30 de agosto de 1757, para matriz da Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos. Desde então, o povoado ao seu redor passou a chamar-se de Matriz de São Gonçalo e hoje chama-se simplesmente "Matriz" e é distrito do município de Ipueiras.
     O território da Freguesia de São Gonçalo era imenso. Compreendia as atuais cidades de Ipueiras, Guaraciaba do Norte, Ipu, Poranga, Nova Russas, Ararendá, Tamboril e Hidrolândia perfazendo uma extensão de quarenta léguas.
Ainda no final do século XVIII, no arraial do Ipu, foi doado um terreno para constituir o patrimônio de São Sebastião e foi construída a primeira igreja no centro do quadro formado pelas casas do arraial.
Em sua passagem pelo Ipu em 1884/1885 Antonio Bezerra deixou registrado em seu livro Notas de Viagem o seguinte: Com relação à origem do Ipu, fui informado de que o local onde hoje se acha assentada a cidade pertencia ao sitio de Manuel Alves Fontes, que em 1792 fizera doação de uma légua de terras em quadro ao arago S. Sebastião, edificando-se uma capela no lugar denominado Papo.
A partir de informações de Eusébio de Sousa, Valdemira Coelho escreve no livro “Ipu em Três Épocas”: Chegaram uns missionários da Vila Real de Viçosa e continuaram o trabalho de catequese iniciado por D. Joana Paula Vieira Mimosa, seguidos de outros padres, vindos depois, os quais construíram a pequena CAPELA, edificada em 1765 e em torno da qual surgiu o POVOADO chamado PAPO.
A pequena capela tinha o teto de palha e sua frente dava para o poente.
A 26 de agosto de 1840, a sede da Vila Nova d'El Rey foi transferida para o Ipu, tomando o nome de Vila Nova do Ipu Grande. Mais ou menos em 1845, chega ao Ipu o último cura da Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos, o Padre Francisco Corrêa de Carvalho e Silva. Ao que tudo indica, foi o primeiro sacerdote a fixar residência no Ipu. Sua justificativa para não morar na sede da Freguesia era o fato de haver encontrado a igreja de São Gonçalo em péssimo estado, com paredes ruindo, o que impossibilitava seu uso para as celebrações. A providência que tomou foi a de mandar demolir a antiga igreja para que fosse construída outra. Enquanto isso conseguiu autorização para transferir as alfaias e ornamentos para a capela de São Sebastião.
     A construção da atual igreja da Matriz arrastou-se por muitos anos. Enquanto isso, resolveu o Padre Corrêa demolir também aquela primitiva capela que havia no Ipu e mandou construir a atual igrejinha.
     Dessa forma, a capela da igrejinha remonta à segunda metade do século XIX, não sendo a primeira igreja do Ipu, pois a primeira seria a de palha.
PADRE CORREIA. Foto de Nertan Macedo. 

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